MAI262026 Mercados digitais: equilíbrio regulatório ganha espaço no debate jurídico e econômico brasileiro

Mercados digitais: equilíbrio regulatório ganha espaço no debate jurídico e econômico brasileiro

Por Rodrigo Ematné Gadben

A discussão sobre a regulação dos mercados digitais tem ocupado posição central no cenário jurídico, econômico e concorrencial brasileiro. Em meio ao avanço das plataformas digitais e à crescente influência das grandes empresas de tecnologia na dinâmica econômica global, propostas legislativas buscam estabelecer parâmetros para a atuação desses agentes no país.

Recentemente, o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) apresentou sugestões de ajustes ao projeto de lei voltado à regulamentação dos mercados digitais, defendendo aperfeiçoamentos capazes de evitar excessos regulatórios, sobreposição de competências e potenciais impactos negativos sobre a inovação e a segurança jurídica.

O debate evidencia um dos principais desafios contemporâneos do ambiente regulatório: como construir mecanismos de controle e concorrência saudável sem comprometer a dinâmica de inovação que caracteriza a economia digital.

Segundo análise do advogado Rodrigo Gadben, integrante do BJPAF Advocacia, a discussão exige cautela técnica e atenção ao equilíbrio entre proteção concorrencial e previsibilidade normativa.
“O avanço da regulação dos mercados digitais é um tema relevante e inevitável, sobretudo diante da transformação econômica impulsionada pelas plataformas tecnológicas. Entretanto, qualquer iniciativa regulatória precisa observar critérios de proporcionalidade, clareza normativa e coordenação institucional, evitando redundâncias regulatórias e insegurança jurídica”, destaca.

O projeto em discussão busca disciplinar práticas de grandes plataformas digitais, especialmente aquelas com relevante poder econômico e capacidade de influência sobre mercados, consumidores e agentes concorrenciais. Entre os objetivos debatidos estão o fortalecimento da concorrência, a prevenção de práticas anticompetitivas e a ampliação da transparência na atuação das chamadas plataformas dominantes.

Por outro lado, parte da comunidade jurídica, acadêmica e empresarial alerta para a necessidade de evitar modelos regulatórios excessivamente rígidos ou construídos sem adequada delimitação de competências entre órgãos públicos já responsáveis pela matéria concorrencial e econômica.

Nesse contexto, as sugestões apresentadas pelo IAB apontam para a importância de ajustes legislativos que preservem a coerência do sistema regulatório brasileiro, respeitando estruturas institucionais existentes e reduzindo riscos de conflitos interpretativos ou duplicidade de fiscalização.

Para Rodrigo Gadben, o tema demanda análise multidisciplinar, considerando não apenas aspectos jurídicos, mas também impactos econômicos, tecnológicos e concorrenciais.
“A construção de um ambiente regulatório eficiente passa pela capacidade de equilibrar proteção de mercado, livre concorrência, desenvolvimento tecnológico e segurança jurídica. Esse equilíbrio é essencial para assegurar um ambiente de negócios saudável e previsível”, observa.

O avanço da pauta demonstra que a regulação da economia digital seguirá como tema estratégico para empresas, investidores, operadores do Direito e agentes públicos, especialmente em um cenário de crescente digitalização das relações econômicas e empresariais.

O acompanhamento qualificado dessas transformações torna-se fundamental para organizações que atuam em mercados sujeitos a inovação constante, mudanças regulatórias e novas exigências de governança, compliance e concorrência.

Fonte: Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).